10 setembro 2008

 

os bons deficientes

Apesar de não ser religioso, já sei que me vou penitenciar (e vai uma) por esta minha confissão (e vão duas), pois vou falar dos Jogos Para-olímpicos

Faço aqui a minha única ressalva neste post. Cada um tem o valor que tem e os nossos atletas inscritos nestes jogos tem forçosamente o seu valor, independentemente da classificação que possam obter. O seu valor é enquanto pessoas.
Feita a ressalva, permitam-me agora ser curto e grosso (ou assertivo e estúpido, para os mais familiarizados ao meu feitio).

Sempre que tenho de ir a um velório ou funeral, lá me vem aquele pensamento estúpido de rir só por rir.
Pois por mais que tente colocar rédeas ao meu pensamento, é a mesma sensação que sinto sempre que vejo os atletas no pódio.
Assisti recentemente a uma cena de um atleta premiado a tentar cumprimentar outro atleta sem braço, enquanto o 3º classificado se tentava desviar. Tentava, porque para quem tem próteses em vez de pernas, a coisa torna-se ligeiramente mais difícil.
Para apreciadores de humor estilo Monty Python, sabem exactamente a que tipo de cenas me estou a referir.



Outra coisa que me confunde é o grau de deficiência de cada um.
Acho que dificilmente conseguiria determinar até que ponto os que ficam em primeiro lugar, apenas ganham porque na realidade não são tão deficientes como os que perdem. Ao contrário das competições ditas normais, aqui os que perdem podem sempre pensar que os que ganharam não estavam mais bem preparados com ajuda dos governos dos países de origem, mas sim porque não são tão deficientes.

Esta versão dos jogos olímpicos para deficientes, apesar dos valores nobres que representa, não deixa de ser o que é: Uma versão para deficientes. Mas o que verdadeiramente me irrita é o slogan criado para estes jogos:

É nisto que somos bons!

Com franqueza, que somos um país de deficientes já todos nós sabemos, mas a grande maioria não é física mas sim mental.
E uma vez mais não me estou a referir aos atletas que lá estão.
Comments:
não tenhas duvidas que os nossos atletas que estão agora em Pequim acham imensa piada a estas coisas porque são inteligentes e não têm maldade.
só os maus não acham graça a nada.
 
Já várias vezes coloquei essa questão da maior ou menor deficiência. Enfim... depois da desgraça que foram os jogos olímpicos, fica-nos o consolo de termos os melhores deficientes. A começar pelos dirigentes desportivos.
Mas concordo que tem a sua dose de nobreza e quem assim se esforça merecia um pouco mais de atenção e apoio dos nossos políticos atrasadinhos mentais.
 
Já tinha também pensado nisso, ou seja, se formos os melhores é porque afinal não somos assim tão deficientes fisicos.
 
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